segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Razão e emoção.

Olá pessoas....

Vejamos neste post uma dicotomia clássica: Razão X Emoção, a qual nos abre espaço para uma série de discussões tais como a irracionalidade da emoção e o conceito de razão propriamente dito, tal como a filosofia o concebe. Para ilustrar melhor a problematização da mesma, vejamos um fragmento do livro da Marilena Chauí, (apesar de ter minhas restrições sobre o livro, me pergunte depois o por quê, e exponho meu argumentos).
Neste fragmento ela faz uma análise da célebre máxima de Pascal: "o coração tem razões que a própria razão desconhece."
Apenas um pequeno comentário, ao contrário do que muita gente pensa, esta frase é de Pascal e não de Fernando Pessoa ou Drumond, ok? Vamos parar com esta mania de fazer citações a revelia, sem checar seguramente nossas fontes.
O coração tem razões que a própria razão desconhece
Blasie Pascal
"Nessa frase, as palavras razões e razão não têm o mesmo significado, indicando coisas diversas. Razões são os motivos do coração, enquanto razão é algo diferente de coração; este é o nome que damos para as emoções e paixões, enquanto “razão” é o nome que damos à consciência intelectual e moral.

Ao dizer que o coração tem suas próprias razões, Pascal está afirmando que as emoções, os sentimentos ou as paixões são causas de muito do que fazemos, dizemos, queremos e pensamos. Ao dizer que a razão desconhece “as razões do coração”, Pascal está afirmando que a consciência intelectual e moral é diferente das paixões e dos sentimentos e que ela é capaz de uma atividade própria não motivada e causada pelas emoções, mas possuindo seus motivos ou suas próprias razões.

Assim, a frase de Pascal pode ser traduzida da seguinte maneira: Nossa vida emocional possui causas e motivos (as “razões do coração”), que são as paixões ou os sentimentos, e é diferente de nossa atividade consciente, seja como atividade intelectual, seja como atividade moral.

A consciência é a razão. Coração e razão, paixão e consciência intelectual ou moral são diferentes. Se alguém “perde a razão” é porque está sendo arrastado pelas “razões do coração”. Se alguém “recupera a razão ” é porque o conhecimento intelectual e a consciência moral se tornaram mais fortes do que as paixões. A razão, enquanto consciência moral, é a vontade racional livre que não se deixa dominar pelos impulsos passionais, mas realiza as ações morais como atos de virtude e de dever, ditados pela inteligência ou pelo intelecto. Além da frase de Pascal, também ouvimos outras que elogiam as ciências, dizendo que elas manifestam o “progresso da razão ”. Aqui, a razão é colocada como capacidade puramente intelectual para conseguir o conhecimento verdadeiro da Natureza, da sociedade, da História e isto é considerado algo bom, positivo, um “progresso”.

Por ser considerado um “progresso”, o conhecimento científico é visto como se realizando no tempo e como dotado de continuidade, de tal modo que a razão é concebida como temporal também, isto é, como capaz de aumentar seus conteúdos e suas capacidades através dos tempos.

Algumas vezes ouvimos um professor dizer a outro: “Fulano trouxe um trabalho irracional; era um caos, uma confusão. Incompreensível. Já o trabalho de beltrano era uma beleza: claro, compreensível, racional”. Aqui, a razão, ou racional,significa clareza das ideias, ordem, resultado de esforço intelectual ou da inteligência, seguindo normas e regras de pensamento e de linguagem.

Todos esses sentidos constituem a nossa ideia de razão. Nós a consideramos a consciência moral que observa as paixões, orienta a vontade e oferece finalidades éticas para a ação. Nós a vemos como atividade intelectual de conhecimento da realidade natural, social, psicológica, histórica. Nós a concebemos segundo o ideal da clareza, da ordenação e do rigor e precisão dos pensamentos e das palavras.

Para muitos filósofos, porém, a razão não é apenas a capacidade moral e intelectual dos seres humanos, mas também uma propriedade ou qualidade primordial das próprias coisas, existindo na própria realidade. Para esses filósofos, nossa razão pode conhecer a realidade (Natureza, sociedade, História) porque ela é racional em si mesma.

Fala-se, portanto, em razão objetiva (a realidade é racional em si mesma) e em razão subjetiva (a razão é uma capacidade intelectual e moral dos seres humanos). A razão objetiva é a afirmação de que o objeto do conhecimento ou a realidade é racional; a razão subjetiva é a afirmação de que o sujeito do conhecimento e da ação é racional. Para muitos filósofos, a Filosofia é o momento do encontro, do acordo e da harmonia entre as duas razões ou racionalidades."


Marilena Chauí.


Vamos ampliar nosso debate, sobre o tema usando uma letra de música.

Razões e Emoções / NX Zero
Composição: Di Ferrero / Gee Rocha

Dizer, o que eu posso dizer
Se estou cantando agora
Pra você
Ouvir com outra pessoa

É que às vezes acho
Que não sou o melhor
Pra você
Mas às vezes acho
Que poderíamos ser
O melhor pra nós dois
Só quero que saiba

Entre razões e emoções
A saída
É fazer, valer a pena
Se não agora
Depois não importa
Por você,
Posso esperar

Sentir, o que posso sentir
Se em um segundo tudo acabar
Não vou ter como fugir

É que às vezes acho
Que não sou o melhor
Pra você
Mas às vezes acho
Que poderíamos ser
O melhor pra nós dois
Só quero que saiba

Entre razões e emoções
A saída
É fazer, valer a pena
Se não agora
Depois não importa
Por você,
Posso esperar ( 2x)

(Isso vai passar)
Entre razões e emoções
A saída
(Tudo vai melhorar)
É fazer, valer a pena
(Isso vai passar)
Se não agora
Depois não importa
(Tudo vai melhorar)
Por você!
Posso esperar
Posso esperar
Posso esperar
Posso esperar

Podemos perceber que a na música a palavra "razões" ganha um sentido diferente ao atribuído por Pascal em sua máxima, embora possa ser visto também como motivos, ela está em franca oposição com "emoções".

As "razões" na máxima de Pascal, são irracionais pois relacionam-se com o sentimento. Servem para expor as motivações do coração.

Na letra, as "razões" são apresentadas de forma argumentativa pelo compositor. Onde o argumento central seria, a possibilidade de não ser o melhor para sua namorada.








Nenhum comentário: